Lembre-se que você pode chegar aos 40 — Carl Jung

Na primeira metade da vida, desde o nosso nascimento até os 35/40 anos, a energia psíquica geralmente se organiza em torno de adaptações. Nós formamos laços sociais, exercemos alguns papéis, entregamos resultados e aprendemos a ser alguém “legível” ou ”útil” para o mundo. Nós escolhemos — às vezes com liberdade, às vezes por necessidade — um conjunto de máscaras: profissional, filho, parceira, parceiro, amigo confiável, pessoa forte, pessoa responsável, pessoa que suporta e por aí vai. E, por um tempo, isso funciona. Funciona tão bem que você começa a confundir esse conjunto de máscaras com quem você realmente é.

Só que esse estado de “quem eu sou” é, muitas vezes, uma construção provisória. A psicologia analítica chamaria isso de persona: que é justamente uma máscara social necessária, um modo de se relacionar com o mundo. O problema é que todo esforço consciente para parecer algo causa uma pressão inconsciente de proporções semelhantes, e muitas vezes até maior. E a segunda metade da vida frequentemente é o momento em que tudo aquilo que foi retirado da persona e jogado ao inconsciente começa a exercer pressão para voltar. O psicoterapeuta junguiano Murray Stein escreve que:

“O meio da vida é um período em que as pessoas muitas vezes dão guinadas existenciais que mudam tudo, e revolucionam um mundo que parecia seguro, tanto social quanto psicologicamente. Neste momento as pessoas fazem mudanças radicais, cortam raízes, rompem padrões e vagam pelo mundo em busca de alguma coisa […]”

Murray Stein, No Meio da Vida.

É nesse período que aquela persona que construímos começa a desmoronar. Pode surgir irritabilidade, cinismo, sensação de vazio, perda de entusiasmo por coisas que antes motivavam, vontade de abandonar o que foi construído, ou o oposto disso — uma rigidez maior, como se a pessoa precisasse controlar tudo para não colapsar. Às vezes isso vem como uma ansiedade, às vezes como apatia. Às vezes como um desejo súbito pela juventude, ou de aventuras, ou de tentar provar para si mesmo que aquele entusiasmo pueril ainda está ativo. Como exemplifica Murray Stein:

“Quando a transição da meia-idade se inicia […], as pessoas em geral sentem-se pressionadas por uma sensação de perda com todas as implicações emocionais que ela traz: mudanças de humor, momentos de nostalgia e de luto por algo que se perdeu e não se sabe exatamente o que, um agudo e crescente senso das limitações da vida, ataques de pânico a respeito da própria morte, racionalizações e tentativas de negar tudo o que realmente esteja acontecendo.”

Murray Stein, No Meio da Vida.

A segunda metade da vida reduz o poder da repressão e faz retornar aquilo que ficou para trás na primeira metade da vida. Tudo o que a pessoa engoliu para ser aceito. Tudo o que ela adiou para ser eficiente. É por isso que muita gente tenta resolver essa travessia com soluções rápidas, como a troca de relacionamentos, casos extraconjugais, a troca de trabalho, fazer compras compulsivas, mudanças radicais na aparência e por aí vai. No entanto, é preciso perceber se isso não seria cair em outra persona, em outra máscara social apenas para não confrontar aquelas exigências inconscientes que estão fazendo pressão na consciência. Pois como o próprio Carl Jung explica sobre a persona:

“[…] a persona não passa de uma máscara da psique coletiva. No fundo, nada tem de real; ela representa um compromisso entre o indivíduo e a sociedade, acerca daquilo que ‘alguém parece ser: nome, título, ocupação, isto ou aquilo’. De certo modo, tais dados são reais; mas, em relação à individualidade essencial da pessoa, representam algo de secundário, uma vez que resultam de um compromisso no qual outros podem ter uma quota maior do que a do indivíduo em questão.”

Carl Jung, O Eu e o Inconsciente.

E é justamente quando a persona provisória que foi construída na primeira metade da vida começa a rachar, que a vergonha passa a tomar conta do indivíduo. Porque é como se ela tivesse que admitir que não é tão coerente quanto parecia ser. E isso assusta, especialmente quem construiu a vida inteira em cima da persona social, pois aquilo que parecia ser uma estabilidade pode ter sido apenas atuações constantes do que não foi inteiramente resolvido e integrado à verdadeira individualidade.

Essa individualidade é o que a psicologia analítica chama de Si-mesmo, o centro organizador da totalidade psíquica, aquilo que empurra a personalidade para a individuação. Na segunda metade da vida, as exigências do Si-mesmo falam tão alto que, uma hora ou outra, o indivíduo terá que se voltar para elas, ou como explica o terapeuta junguiano James Hollis:

“O trânsito da passagem do meio ocorre no temível choque entre a personalidade adquirida e as exigências do Si-mesmo. Uma pessoa que passa por essa experiência frequentemente entrará em pânico e dirá: ‘Não sei mais quem sou’. Com efeito, a pessoa que o indivíduo foi está para ser substituída pela pessoa que será. A primeira deve morrer. Não é de causar surpresa que exista essa enorme ansiedade. O indivíduo é intimado, psicologicamente, a morrer para o velho ‘eu’ para que o novo possa nascer.”

James Hollis, A Passagem do Meio.

Mas é nessa substituição, nessa passagem entre a primeira e a segunda metade da vida, que todas as pessoas notam a presença de um ser que vive entre a fronteira das coisas; que, ao mesmo tempo que acessa o inconsciente, retorna à consciência trazendo algum material para elaboração; esse ser está em cada encruzilhada da vida, em cada momento de indecisão e de medo da mudança. Ele confunde, mas também inspira. E na segunda metade da vida, ele aparece mais do que em qualquer outro momento.

Nós estamos falando da figura de Hermes, o mensageiros dos deuses. Na mitologia grega, Hermes é o mediador entre o reino divino e o mundo humano. Murray Stein complementa da seguinte forma: 

“Hermes, o deus das fronteiras e do tráfego entre os diversos mundos, dono e conhecedor dos caminhos sobre a terra e o mar, frequentador dos bazares e mercados onde acontecem todos os tipos de trocas e transações, representa um tipo de consciência que existe principalmente em tempos de transição.”

Murray Stein, No Meio da Vida.

Na psicologia analítica, os deuses das antigas religiões são manifestações psíquicas, são projeções do inconsciente da humanidade. Não é porque uma tradição religiosa se dissolveu, como a tradição grega ou a egípcia, que suas implicações psíquicas desapareceram do inconsciente coletivo. Todos nós carregamos traços desse material arcaico legado dos nossos antepassados, que são revividos como sintomas psicológicos de acordo com situações que espelham as características desses deuses. Os sintomas das doenças psíquicas modernas são apenas outro nome para as características dos deuses da antiguidade, como explica Jung:

“Congratulamo-nos por haver atingido um tal grau de clareza, deixando para trás todos esses deuses fantasmagóricos. Abandonamos, no entanto, apenas os espectros verbais, não os fatos psíquicos responsáveis pelo nascimento dos deuses. Ainda estamos tão possuídos pelos conteúdos psíquicos autônomos, como se estes fossem deuses. Atualmente eles são chamados: fobias, obsessões, e assim por diante; numa palavra, sintomas neuróticos. Os deuses tornaram-se doenças. Zeus não governa mais o Olimpo, mas o plexo solar e produz espécimes curiosos que visitam o consultório médico; também perturba os miolos dos políticos e jornalistas, que desencadeiam pelo mundo verdadeiras epidemias psíquicas.”

Carl Jung, O Segredo da Flor de Ouro.

Dizer que estamos sofrendo de ansiedade, depressão ou tendo crises de pânico é, em outros termos, dizer que decepcionamos ou enfurecemos algum deus do Olimpo, como os nossos antepassados pensariam. Nesse sentido, durante o meio da nossa vida, quando estamos nos desidentificando daquela persona construída na primeira metade da vida e estamos prestes a entrar numa espécie de limiar para a segunda fase, ocasionando angústia, incerteza e frustrações, estamos, em outras palavras, nos confrontando com Hermes, que governa justamente o aspecto transitório da vida.

O principal aspecto psicológico de Hermes é o movimento. É ele quem mantém a energia psíquica em transformação. O relato do nascimento de Hermes atesta isso. Em uma coleção de hinos atribuídos ao poeta grego Homero, há mais de 2700 anos, temos uma descrição precisa da natureza de Hermes, olha o que o poema canta:

“Cantai, ó Musa, a Mercúrio [Hermes], progênie de Zeus e de Maia […] Benfeitor, mensageiro dos deuses […] eis que um filho nasceu industrioso, em mil treitas esperto, predador, condutor de rebanhos, ministro dos sonhos, espreitante da noite, vigia das portas, que iria ostentar os seus ínclitos fastos aos deuses eternos beatos. Matutino, já no meio-dia tocava da cítara, e, de noite, o rebanho roubava de Apolo dardeiro.”

Homero, Hino a Hermes.

Em muitas versões desse mito, ainda recém-nascido, Hermes já age no mundo, já cria, engana e inventa caminhos. Assim que nasceu, Hermes já roubou uma das cabeças de gado do deus Apolo. Esse detalhe é psicologicamente interessante, porque mostra que a função hermética é espontânea e criativa: ela não espera a pessoa estar pronta, ela aparece quando é necessário que a psique volte a circular. A capacidade de Hermes em fazer pontes, de ligar o que foi separado, de levar uma mensagem de um lugar psíquico a outro, é o que ocasiona aqueles sintomas vistos durante a meia idade: o que estava reprimido começa a querer chegar à consciência, a sombra começa a querer ser reconhecida, afetos antigos voltam com novas exigências. A vida interior vira uma espécie de protesto de tudo o que foi reprimido, e é Hermes quem carrega essa palavra.

Se tudo o que foi reprimido corre o risco de voltar à consciência através de sintomas durante a meia-idade, é como se a nossa própria psique pregasse uma peça em nós, como se ela tivesse trapaceado e nos deixado com a ilusão de que, durante todo esse tempo, éramos nós quem estávamos no controle. 

E é por isso que, na psicologia analítica, Hermes se aproxima do arquétipo do Trickster. O Trickster é a figura do trapaceiro, mas não no sentido estritamente moralista. Ele é a força psíquica que quebra a rigidez, que desarma a inflação do ego, que expõe o quanto a persona pode ser artificial, e que devolve movimento para a vida que estava endurecida. O Trickster aparece quando a psique ficou unilateral, quando você se identificou demais com um papel e esqueceu o resto, como escreveu Jung:

“[…] uma estranha combinação de motvos “tricsterianos” típicos, encontra-se na figura alquímica de Mercúrio [Hermes]; por exemplo, sua tendência às travessuras astutas, em parte divertidas, em parte malignas (veneno!), sua mutabildade, sua dupla natureza animal divina, sua vulnerabldade a todo tipo de tortura e sua proximdade da figura de um salvador.”

Carl Jung, Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo.

Os sintomas neuróticos que podem aparecer na meia-idade é uma forma da psique de dizer que alguma coisa precisa ser compreendida, algo na estrutura do indivíduo precisa mudar. E a figura do Trickster cria essa confusão para obrigar a consciência a crescer. Mas não confunda a figura do Trickster ou de Hermes com uma forma de agir impulsivamente e chamar isso de autenticidade. Autenticidade não é falar o que pensa, romper relações por meras insatisfações pueris ou tentar recuperar uma juventude que nunca poderá voltar. Isso é apenas imaturidade. Hermes é a força psíquica que te ajuda a negociar com o inconsciente sem ser engolido por ele.

E para exemplificar isso, vamos usar um trecho da Odisseia, o poema épico que conta a história de Ulisses de volta à sua terra natal chamada Ítaca, onde Hermes aparece e o ajuda a atravessar sua jornada.

Na Odisseia, Hermes aparece quando Ulisses fica preso na ilha da feiticeira Circe. E esse momento é bem interessante porque, se interpretarmos essa passagem psicologicamente, Circe está relacionada com o retorno à mãe. Ela transforma os marinheiros de Ulisses em porcos, mas mantém sua consciência de humanos. A transformação do humano em animal denota um retorno ao estado inconsciente de dependência materna, como é explicado por Jung:

“Enquanto a criança permanece nesta identidade inconsciente com a mãe, ela continua integrada na alma animal tão inconsciente quanto esta. O desenvolvimento da consciência leva inevitavelmente não só à distinção em relação à mãe, mas também em relação aos pais e à família em geral, e a uma relativa separação do inconsciente e do mundo instintivo. Mas a nostalgia deste mundo perdido continua e sempre de novo nos acena quando surgem necessidades de adaptação difíceis, de desvios e recuos, de regressão para os tempos da infância, o que produz então a simbólica incestuosa.”

Carl Jung, Símbolos da Transformação.

Mas a transformação dos marinheiros em porcos não significa uma mera regressão a um estado infantil, mas, sim, uma nova tentativa de se relacionar com o inconsciente. Na meia-idade pode ocorrer uma profunda nostalgia relativa à primeira infância e ao vínculo materno, e se soubermos estabelecer um contato com esses conteúdos, não nos deixaremos levar pela sua sedução, abandonando as responsabilidades.

Quando a energia interna fica unilateral, quando o homem se afasta do centro de si mesmo e das suas responsabilidades, a vida instintiva começa a agir mais forte; ela pode voltar de um jeito degradado, compulsivo, sem dignidade, como se a pessoa tivesse sido reduzida ao que há de mais automático nela.

E a pessoa, percebendo que os sonhos da juventude já não podem mais ser alcançados, os remédios, as drogas e as remediações que ela faz na segunda metade da vida se assemelham ao banquete envenenado que Circe oferece aos marinheiros de Ulisses: são apenas ilusões materiais que dão uma falsa sensação paliativa para não confrontarmos nossos reais problemas que voltam do reprimido, como explica Murray Stein:

“As drogas de Circe fazem os companheiros de Ulisses esquecer sua terra natal. Como atitude psicológica, esta é uma redução radical ao substrato infantil da existência animal. […] Esse desamparo se apoia numa forma estranha de inocência sobre o que se passa ao seu redor, como se fosse natural perseguir uma existência baseada no dinheiro, no poder e numa ambição sem limites, engordar 15 quilos e continuar engordando na meia-idade, venerar o álcool a ponto de precisar de pelo menos quatro drinques antes do jantar para conseguir passar a noite e se entregar ao sexo casual sem nenhuma gratificação emocional. […] Para muita gente, assim é a meia-idade!”

Murray Stein, No Meio da Vida.

Se estivermos atentos e soubermos confrontar nosso inconsciente na meia-idade, a sedução da Circe ficará cada vez mais impotente. 

E isso é mostrado quando Ulisses vai confrontar essa feiticeira. E é aí que Hermes aparece. Sob a forma de um jovem extremamente belo, Hermes vai até Ulisses e lhe fornece as instruções: Primeiro, ele deve levar consigo um remédio feito de alho para deter o feitiço de Circe. Depois, assim que Circe tentar alguma investida, ele deve correr em direção a ela num acesso de fúria. Ela, então, ficará com medo e convidará Ulisses para dormir com ela. Depois, ele deve fazê-la prestar juramento de que não tentará mais nenhum truque enquanto ele e seus companheiros estiverem na ilha.

O remédio que Hermes entrega a Ulisses é um alho que, na mitologia grega, é associado à deusa Hécate, a mãe das bruxas. Ou seja, nós eliminamos o mau com o seu próprio veneno, como explica Murray Stein:

“A afinidade entre Hermes e Hécate aponta para a ideia de que o presente de Hermes para Odisseu, que tem a finalidade de neutralizar o encantamento de Circe, é também um tipo de feitiçaria. […] Assim, Odisseu necessita de uma certa semelhança com a consciência/encantadora/bruxa para não cair no poder de Circe.”

Murray Stein, No Meio da Vida.

E Ulisses só conseguiu obter essa semelhança e reconhecer os impulsos sobre os quais o poder de Circe se estrutura porque Hermes também tem uma relação direta com os impulsos e com a espontaneidade. Lembre-se de que, assim que Hermes nasceu, ele já começou a criar coisas e até roubou as cabeças de gado do deus Apolo. Quando Hermes está presente em alguns momentos da nossa vida, é como se não tivéssemos tempo para ruminar os pensamentos, o que causaria uma paralisação das ações e uma angústia provocada por ela.

E essa paralisação não aconteceu com Ulisses, pois Hermes o instruiu a gritar e avançar em direção à Circe assim que ela tentasse algum truque. Isso é um detalhe psicológico importantíssimo, pois Circe representa a anima, o aspecto interior feminino presente na psique que, se não for devidamente confrontado, pode enfeitiçar e paralisar nossa vida: a anima regressiva só vence quando o ego cede às pressões, quando o homem não toma decisões e regride à dependência materna, que aqui é representada pela Circe.

Só que, o que Hermes pede é ainda mais sofisticado: ele não diz para Ulisses rejeitar Circe. Ele diz para Ulisses não recusar a intimidade contanto que ele imponha um princípio: o de fazer Circe “jurar solenemente não prejudicá-lo”. Ou seja: não basta coragem diante da anima; é preciso firmar um contrato com ela, com o nosso lado feminino que ocasiona devaneios e regressões. A meia-idade pede exatamente isso. Não é reprimir os nossos desejos, nem se jogar neles. É transformar o desejo numa relação consciente, com limites e responsabilidade, só então Circe se torna uma aliada em vez de uma bruxa.

“Hermes promove um tipo sutil de equilíbrio que permite que se estabeleça o que podemos chamar informalmente de ‘método’ do despertar para o inconsciente. […] Estabelece-se então uma relação de atitudes e ações para com a anima que inclui suspeita, resistência ativa e submissão. O resultado deste jogo Hermético é a emergência da confiança com o inconsciente.”

Murray Stein, No Meio da Vida.

E o que acontece depois é a imagem perfeita do que significa a anima se tornar uma aliada. Circe não apenas desfaz o feitiço e devolve a humanidade aos companheiros de Ulisses, mas também os alimenta, fazendo com que retornem mais fortes do que antes. Ou seja, quando a energia feminina interna deixa de ser usada para regressão, ela se torna uma fonte de nutrição para confrontar nossos aspectos inconscientes que mais tememos encontrar.

Depois que Circe se torna aliada de Ulisses, ela o orienta a descer ao Hades, o mundo dos mortos, para consultar Tirésias, um oráculo, a encontrar o caminho de volta à Ítaca. Psicologicamente, é como se, depois que o homem atravessa o encanto da anima sem perder a si mesmo, ela se torne uma guia para confrontar aspectos ainda mais profundos do inconsciente, onde ele terá que encarar limites, perdas e limitações . E isso é o que meio da vida exige: depois do confronto com a nostalgia de uma juventude que nunca voltará, o que se segue é a exigência de uma vida interior para não ser devorado pelo inconsciente, pelo medo da morte e para não ser sufocado por tudo aquilo que foi reprimido durante a primeira metade da vida.

“No encontro entre Odisseu e Tirésias, temos uma figura do inconsciente que representa sabedoria, objetividade e o contato com a fonte da verdade e do conhecimento psicológico. O seu papel é iniciar o neófito no próximo estágio da vida e em seu novo nível de consciência.”

Murray Stein, No Meio da Vida.

Resumindo: Hermes é a inteligência que nos ajuda na passagem para o meio da vida. Ele mantém a psique em movimento e nos impede de regredir e paralisar. Circe é a anima que pode ser uma bruxa ou uma aliada, dependendo de como nosso ego se posiciona em relação a ela. Tirésias representa o arquétipo do velho sábio, quando a pessoa já atravessou as seduções da regressão infantil e mantém contato com a verdade do seu inconsciente.

Se você está no meio da vida, ou se você está com medo de chegar no meio da vida e sente que algo desabou, eu quero que você se lembre disso: talvez não seja o fim da sua história. Talvez seja apenas o fim de uma versão de você que já cumpriu seu papel. E quando isso acontece, a pergunta mais importante não é “como eu volto a ser como antes?” mas sim: qual verdade eu não posso mais adiar?” Porque quando você responde essa pergunta com coragem, é quando você começa, de fato, a viver.

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